No parecer de Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, a utilização de inteligência artificial pela alta gestão já ultrapassou a fase da curiosidade. Ferramentas generativas são capazes de redigir relatórios, cruzar bases de dados e simular cenários em poucos segundos, reduzindo o tempo necessário para a preparação de uma decisão. No entanto, é importante ressaltar que a responsabilidade pela decisão permanece com o indivíduo.
Essa diferença entre produzir uma resposta e respondê-la é o que explica o domínio técnico ter menos importância do que parece. Mesmo conhecendo os principais modelos de linguagem, um gestor pode decidir errado se não souber avaliar dados, reconhecer limitações do sistema ou traduzir recomendações automatizadas em ações coerentes com a estratégia da empresa.
O desafio está no conjunto de competências que cercam a tecnologia, tais como julgamento, leitura de contexto, ética, comunicação e capacidade de liderar pessoas em um ambiente de trabalho redesenhado. Neste artigo, serão apresentadas as habilidades determinantes para o retorno real dos investimentos em IA.
Pensamento crítico e leitura de dados como base do julgamento
Sistemas de IA trabalham com probabilidades. Um modelo gera uma resposta plausível a partir dos padrões aprendidos, não necessariamente a correta. Por isso, liderar com essa tecnologia exige pensamento crítico: questionar premissas, identificar lacunas e perceber quando uma conclusão parece consistente apenas porque está bem redigida.

Esse cuidado depende de alfabetização em dados, habilidade diferente da de saber programar. A compreensão abrange a origem da informação, o período abrangido, os vieses possivelmente incorporados à amostra e a margem de erro inerente a uma projeção. A experiência de Marcio Alaor de Araujo no mercado financeiro, setor no qual modelos de risco e de precificação fazem parte da rotina, ajuda a compreender por que um número só tem valor quando se conhece a lógica que o produziu.
Ética, governança e comunicação no uso da inteligência artificial
A responsabilidade é um ponto importante. Decisões com apoio de algoritmos podem afetar crédito, contratações, preços e atendimento. Erros nesses campos têm consequências jurídicas e de imagem. A LGPD já limita o tratamento de informações pessoais. As discussões sobre marcos para a IA ampliam a necessidade de transparência.
Nesse sentido, segundo o especialista Marcio Alaor de Araujo, a liderança deve definir regras claras de governança, incluindo os casos em que uma recomendação automatizada é aceita, as situações em que uma revisão humana é obrigatória e como registrar o raciocínio por trás das escolhas. A comunicação complementa esse projeto. É imprescindível esclarecer aos colaboradores, conselhos e clientes o papel da IA em uma decisão, a fim de reduzir desconfianças e evitar a impressão de que o julgamento foi terceirizado para uma ferramenta.
Liderança de pessoas define o retorno da IA nas empresas
A tecnologia altera o ambiente de trabalho, colocando a gestão de pessoas no centro da discussão. As tarefas repetitivas diminuem, as funções são redesenhadas e novas habilidades são exigidas. Diante do exposto, para o empresário Marcio Alaor de Araujo, que prioriza resultados e desenvolvimento organizacional, o ganho de produtividade associado à IA depende do investimento em requalificação e em uma cultura organizacional que incentive a experimentação, o erro e a otimização contínua dos processos.
O executivo que trabalha bem com inteligência artificial combina curiosidade tecnológica com julgamento, responsabilidade e capacidade de mobilizar pessoas. As ferramentas tendem a ficar mais acessíveis e baratas, reduzindo sua força como diferencial competitivo. O que escasseia é a habilidade de transformar respostas automatizadas em decisões bem fundamentadas.
Nesse cenário, a adoção da inteligência artificial deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a integrar a própria estratégia de gestão. Organizações que conseguem alinhar ferramentas, pessoas e processos criam condições para inovar sem perder de vista a qualidade das decisões e a sustentabilidade dos resultados.
