Apenas 52,7% das instituições privadas do Estado possuem banheiros adaptados para pessoas com deficiência, segundo levantamento divulgado pelo IBGE
A rede privada de ensino do Ceará está entre as que apresentam os menores percentuais do país em relação à existência de banheiros acessíveis para pessoas com deficiência. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, mostram que 52,7% das escolas particulares cearenses possuem sanitários adaptados. O percentual coloca o Estado na terceira menor posição do país nesse indicador, à frente apenas de Alagoas, com 50,4%, e São Paulo, com 47,8%.
As informações fazem parte do estudo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, elaborado a partir de dados de diferentes órgãos públicos, incluindo IBGE, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O levantamento reúne indicadores relacionados às condições de vida e ao acesso das pessoas com deficiência a diferentes serviços e estruturas.
O cenário, porém, apresenta uma diferença importante entre passado e presente. Em 2016, apenas 26,1% das unidades particulares de ensino do Ceará tinham banheiros considerados acessíveis. Apesar do avanço registrado ao longo da última década, o percentual atual ainda mantém o Estado entre os menores do país, posição que, segundo os dados divulgados, é ocupada pelo Ceará desde 2022.
Percentual de banheiros acessíveis cresceu na última década
Os dados do IBGE mostram que houve uma evolução significativa na presença de banheiros acessíveis nas escolas particulares do Ceará. Em 2016, o percentual era de 26,1%, o que significava que pouco mais de um quarto das instituições privadas contava com esse tipo de estrutura. Em 2026, o indicador chegou a 52,7%, representando uma ampliação de mais de 26 pontos percentuais em uma década. Mesmo com o crescimento, quase metade das escolas privadas ainda não aparece no levantamento como possuidora de banheiros adaptados.
A acessibilidade dos banheiros é um dos elementos considerados na estrutura física necessária para garantir condições adequadas de circulação e permanência de estudantes com deficiência no ambiente escolar. O indicador não representa sozinho toda a situação de acessibilidade das instituições, mas permite observar uma parte da infraestrutura disponível para esse público. A existência de sanitários adaptados envolve características como espaço adequado, barras de apoio e condições que permitam o uso por pessoas com diferentes tipos de deficiência.
O resultado também coloca o Ceará em uma posição diferente daquela observada na rede pública. Entre as escolas públicas do Estado, o percentual de instituições com banheiros acessíveis chega a 61,3%, acima dos 52,7% registrados na rede privada. Na comparação nacional, o índice da rede pública cearense ocupa a 13ª posição entre os estados, enquanto o resultado da rede privada está entre os três menores.
A diferença entre as duas redes mostra que a oferta de infraestrutura acessível não apresenta o mesmo comportamento em todas as instituições de ensino. No Ceará, os dados indicam que a rede pública possui uma proporção maior de escolas com banheiros adaptados. A comparação também permite observar que o crescimento registrado na rede privada ainda não foi suficiente para aproximar o indicador dos níveis apresentados pela rede pública estadual.
Profissionais de apoio também são desafio nas escolas privadas
Outro dado apresentado pelo levantamento chama atenção para a presença de profissionais de apoio destinados a estudantes com deficiência. No Ceará, apenas 3,3% das escolas privadas possuem esse tipo de profissional, percentual inferior à média nacional de 4,6% registrada na rede particular. O indicador mostra que a diferença entre as redes de ensino não está restrita à infraestrutura física e também aparece na disponibilidade de recursos humanos voltados ao atendimento educacional.
Na rede pública cearense, a situação apresentada pelo levantamento é diferente. O percentual de escolas que contam com profissionais de apoio chega a 48,2%, índice que coloca o Ceará na sétima posição entre os estados brasileiros nesse indicador. O levantamento também aponta que o resultado da rede pública estadual supera a média nacional, calculada em 32,4%.
Os profissionais de apoio podem auxiliar estudantes em diferentes atividades dentro do ambiente escolar, dependendo das necessidades apresentadas por cada aluno. Entre as funções estão apoio em atividades de cuidado, locomoção, alimentação, comunicação e interação. A presença desses profissionais integra um conjunto mais amplo de recursos utilizados para favorecer a participação de estudantes com deficiência no cotidiano das escolas.
O levantamento também aponta uma diferença na existência de Salas de Recursos Multifuncionais ou bilíngues para estudantes surdos. No Ceará, 45% das escolas públicas possuem esse tipo de estrutura, enquanto o percentual registrado na rede privada é de 14,8%. Esses espaços oferecem equipamentos, materiais pedagógicos e recursos utilizados no Atendimento Educacional Especializado (AEE), destinado, entre outros públicos, a pessoas com deficiência, estudantes com transtorno do espectro autista e alunos com altas habilidades ou superdotação.
Dados mostram diferenças entre redes de ensino
A comparação entre os indicadores permite observar que a rede pública cearense apresenta percentuais superiores aos da rede privada em diferentes recursos relacionados à inclusão. Nos banheiros acessíveis, são 61,3% na rede pública contra 52,7% na particular. Na presença de profissionais de apoio, a diferença é ainda maior: 48,2% contra 3,3%. Já nas Salas de Recursos Multifuncionais ou bilíngues para surdos, os índices são de 45% e 14,8%, respectivamente.
Os números não significam que todas as escolas públicas tenham estruturas completas de acessibilidade ou que todas as instituições privadas apresentem as mesmas condições. Os indicadores são agregados estaduais e mostram a proporção de unidades que declararam possuir determinados recursos. Por isso, a realidade pode variar entre municípios, escolas e redes de ensino, dependendo das características das unidades e dos investimentos realizados em infraestrutura e atendimento especializado.
O estudo também ajuda a dimensionar os desafios relacionados à inclusão educacional no Ceará. Segundo dados utilizados pelo levantamento, o Estado possui aproximadamente 766 mil pessoas com deficiência, o equivalente a 8,9% da população. Nesse contexto, a disponibilidade de estruturas acessíveis e de profissionais especializados é um dos componentes necessários para ampliar as condições de participação desse público em diferentes espaços sociais, incluindo as instituições de ensino.
A evolução observada nos banheiros acessíveis da rede privada demonstra que houve ampliação da estrutura ao longo dos últimos anos, mas os números também mostram que o processo permanece desigual. O Ceará passou de 26,1% de escolas particulares com banheiros adaptados em 2016 para 52,7% atualmente, mas continua entre os estados com menor percentual. O cenário coloca a acessibilidade escolar entre os indicadores que permitem acompanhar as diferenças existentes entre as redes pública e privada.
Os dados divulgados pelo IBGE oferecem, portanto, um retrato das condições de inclusão encontradas nas escolas cearenses e permitem acompanhar mudanças ocorridas ao longo do tempo. A comparação entre infraestrutura, profissionais de apoio e recursos especializados mostra que a acessibilidade escolar envolve diferentes dimensões. Para além da adaptação física dos espaços, a oferta de profissionais e recursos pedagógicos também aparece como parte importante das condições necessárias para atender estudantes com deficiência.
Fontes: O POVO · Portal Ceará
