Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro com atuação nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos desde 2017, avalia que a norma publicada pelo Banco Central em novembro de 2025 chegou em um momento em que o mercado brasileiro já reunia maturidade suficiente para absorvê-la sem perder o dinamismo que o tornou relevante nos últimos anos.
Regular um mercado cedo demais pode sufocar a inovação antes que ela ganhe forma. Regular tarde demais permite que práticas predatórias se consolidem e causem danos de difícil reversão ao investidor e à credibilidade do setor. Nota-se que o Brasil encontrou um ponto de equilíbrio raro, respaldado por um processo participativo que ouviu os principais agentes do mercado antes de definir as regras.
O mercado estava pronto para ser regulado
Conforme destaca Paulo de Matos Junior, o nível de sofisticação atingido pelo mercado brasileiro de criptoativos nos últimos anos criou as condições necessárias para que a regulação fosse recebida como um avanço e não como uma ameaça. Exchanges com estruturas operacionais robustas, investidores institucionais com posições relevantes em ativos digitais e um público de varejo cada vez mais familiarizado com o setor formam um ecossistema que demandava, e não apenas tolerava, a chegada de regras claras.
Nesse sentido, a norma do Banco Central responde a uma demanda que vinha crescendo dentro do próprio mercado. Agentes sérios que sempre operaram com critérios rigorosos de governança passaram anos em desvantagem competitiva em relação a plataformas que, sem qualquer supervisão, podiam oferecer condições aparentemente mais atrativas sem arcar com os custos de uma estrutura responsável.

O processo regulatório como diferencial
Sob o entendimento de Paulo de Matos Junior, um dos aspectos mais positivos da regulação brasileira foi a metodologia adotada pelo Banco Central para construí-la. As consultas públicas abertas aos principais players do mercado ao longo de mais de um ano produziram uma norma com maior aderência à realidade operacional do setor, evitando distorções comuns em regulações elaboradas sem participação dos agentes diretamente afetados.
Em complemento, o diálogo entre regulador e mercado gerou um nível de compreensão mútua que tende a facilitar a implementação das novas exigências. Paulo de Matos Junior avalia que regulações construídas de forma colaborativa enfrentam menos resistência na fase de adequação e produzem resultados mais consistentes ao longo do tempo.
Por que o momento é estratégico para o Brasil?
Na avaliação de Paulo de Matos Junior, o Brasil se posiciona de forma vantajosa ao regular o mercado de criptoativos em um momento em que outros países ainda debatem seus próprios marcos normativos. A clareza regulatória é um dos critérios mais relevantes para a decisão de investidores internacionais sobre onde alocar recursos no setor de ativos digitais, e o país passa a figurar como destino elegível para estratégias que antes encontravam barreiras institucionais para se viabilizar.
Torna-se evidente, portanto, que o timing da regulação não foi acidental. A combinação entre maturidade de mercado, processo participativo e janela de oportunidade internacional faz da norma do Banco Central não apenas uma medida necessária, mas uma decisão estratégica com potencial de impacto duradouro sobre o desenvolvimento do setor financeiro digital no Brasil.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
