O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues chama atenção para uma contradição frequente no rastreamento do câncer de mama: o exame dura poucos minutos, mas a espera pelo resultado pode ocupar dias de preocupação. Para muitas mulheres, o momento mais difícil não é a compressão da mama, e sim o intervalo entre sair do serviço e receber o laudo. Uma situação comum, descrita aqui de forma anonimizada, mostra como esse período afeta as pacientes e o que pode ser feito para torná-lo mais curto e menos angustiante.
Um telefonema que muda a semana
Uma mulher de 52 anos fez sua mamografia de rotina em uma segunda-feira. Na quinta, recebeu uma ligação do serviço pedindo que voltasse para imagens complementares. A atendente não soube explicar o motivo, e o novo horário só estava disponível na semana seguinte.
Nos dias que se seguiram, a paciente teve dificuldade para dormir, pesquisou sintomas na internet e evitou contar à família para não preocupar ninguém. A convocação, que nos serviços de rastreamento acontece com uma parcela das mulheres examinadas, foi vivida como quase um diagnóstico.
Por que a convocação assusta tanto?
A palavra câncer carrega um peso que se impõe sobre qualquer explicação técnica. Quando a mulher não entende por que foi chamada de volta, tende a preencher a lacuna com a hipótese mais grave. A falta de informação, mais do que o achado em si, alimenta a angústia.
Na maioria das vezes, a convocação serve para ampliar uma área, mudar o ângulo da imagem, comparar com exames anteriores ou complementar a avaliação com ultrassonografia. Segundo Vinicius Rodrigues, explicar esse objetivo no momento do contato reduz o impacto emocional e diminui o risco de a paciente desistir de retornar.
O que mudou no retorno da paciente
No retorno, a radiologista conversou com a paciente antes das novas imagens e explicou que a área analisada correspondia a uma sobreposição de tecidos, comum em mamas mais densas. A incidência complementar e a ultrassonografia, feitas no mesmo dia, confirmaram que não havia lesão.
O resultado foi comunicado ainda no serviço. A paciente saiu com o laudo normal e a orientação de manter o rastreamento a cada dois anos. A experiência mostrou que boa parte do sofrimento poderia ter sido evitada com uma comunicação mais clara no primeiro contato e um agendamento mais rápido.
Práticas que encurtam a angústia
Alguns serviços adotam medidas simples com efeito importante. Explicar, ainda no dia do exame, que convocações para imagens extras são relativamente comuns prepara a paciente para essa possibilidade. Treinar as equipes de atendimento para informar o motivo geral do retorno evita ligações vagas. Mensagens por escrito, com orientações sobre o preparo e o tempo previsto do novo exame, também ajudam a reduzir dúvidas.
A organização da agenda também pesa. Reservar horários para convocações permite que a paciente volte em poucos dias. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, realizar a imagem complementar e a ultrassonografia na mesma visita, com o resultado comunicado logo em seguida, é uma das formas mais eficazes de encurtar a espera.
Comunicação também é parte do cuidado
A forma como o resultado é transmitido influencia a adesão ao rastreamento. Mulheres que passam por uma experiência angustiante e mal conduzida podem adiar ou abandonar os exames seguintes, justamente o oposto do que se espera de um programa de detecção precoce.
Laudos escritos em linguagem compreensível, espaço para perguntas e acesso rápido ao médico solicitante completam o processo. Conforme destaca Vinicius Rodrigues, o cuidado com a paciente não termina na qualidade da imagem, e a maneira de comunicar cada etapa faz parte da segurança e da eficiência do rastreamento.
