A definição de critérios mais claros para identificar atividades econômicas alinhadas à transformação ecológica deve avançar no Brasil em outubro de 2026. O Ministério da Fazenda anunciou que a consulta pública da segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) está prevista para começar em 20 de outubro, ampliando o alcance de uma ferramenta voltada a investidores, empresas, instituições financeiras e órgãos públicos.
A taxonomia funciona como uma referência para classificar atividades que contribuem para o desenvolvimento sustentável do país. Com isso, a proposta é oferecer uma base comum para a análise de projetos, operações financeiras e iniciativas empresariais associadas a objetivos ambientais, sociais e econômicos. A atualização não representa, por si só, uma recomendação de investimento nem assegura retorno financeiro.
O que muda na segunda edição
De acordo com o aviso divulgado pelo Ministério da Fazenda, a nova edição deverá incorporar objetivos relacionados à proteção da biodiversidade e dos ecossistemas. Também estão previstos temas como o uso sustentável do solo, a economia circular e a redução das desigualdades regionais e territoriais.
A ampliação pode tornar a ferramenta mais abrangente para setores que dependem diretamente dos recursos naturais ou que precisam adaptar seus processos produtivos. Atividades ligadas ao uso da terra, à conservação ambiental, ao reaproveitamento de materiais e ao desenvolvimento de diferentes regiões poderão ser avaliadas sob uma estrutura que reúna esses objetivos em uma mesma referência.
Como a medida ainda será apresentada em consulta pública, os critérios da segunda edição poderão receber contribuições e ajustes antes da consolidação definitiva. Essa etapa permite que participantes do mercado, empresas, especialistas e demais interessados analisem as propostas e apresentem observações sobre sua aplicação.
Impactos para investidores e empresas
Para o mercado financeiro, uma classificação oficial pode ajudar a organizar a leitura sobre quais atividades estão efetivamente relacionadas à agenda de sustentabilidade. Fundos, bancos e investidores poderão usar os critérios como uma das referências na avaliação de projetos, empresas, títulos e iniciativas que buscam recursos associados à transformação ecológica.
O efeito esperado é aumentar a transparência na destinação do capital. Em vez de depender apenas de interpretações distintas para definir o que é sustentável, os agentes econômicos passam a contar com parâmetros públicos em construção. A ferramenta também pode contribuir para a comparação entre oportunidades e para uma análise mais estruturada dos riscos e das possibilidades relacionados às mudanças ambientais e sociais.
Para empresas que procuram financiamento, a taxonomia pode influenciar a forma de apresentar projetos e demonstrar sua aderência a objetivos sustentáveis. Instituições financeiras, por sua vez, podem considerar os critérios na estruturação de produtos e na avaliação de operações. Ainda assim, a classificação não substitui a análise de risco, a verificação de resultados ou a avaliação da viabilidade econômica de cada iniciativa.
Transparência e combate ao greenwashing
Outro aspecto relevante é o potencial de reduzir divergências sobre divulgações ambientais. Quando uma empresa ou produto financeiro se apresenta como sustentável sem demonstrar resultados compatíveis, surge o risco de greenwashing, prática associada à apresentação de benefícios ambientais que não correspondem de forma concreta à atividade divulgada.
Ao estabelecer referências técnicas para identificar atividades alinhadas à transformação ecológica, a TSB pode ajudar a separar compromissos verificáveis de afirmações genéricas. Esse processo depende, porém, da clareza dos critérios, da qualidade das informações fornecidas pelas organizações e da capacidade de investidores e instituições de verificar a aderência das atividades classificadas.
Evento de lançamento será transmitido pela internet
O lançamento da consulta pública está marcado para 20 de outubro de 2026, das 14h às 17h30. O evento ocorrerá no Auditório Celso Furtado, no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e terá transmissão pelo canal do Ministério da Fazenda no YouTube, conforme o aviso oficial.
A abertura da consulta marca uma nova etapa para a Taxonomia Sustentável Brasileira e coloca em discussão como o país pretende orientar fluxos de investimentos relacionados à biodiversidade, ao uso responsável do solo, à economia circular e à redução das desigualdades territoriais. Até a definição final, os critérios apresentados devem ser tratados como uma proposta sujeita à participação pública, e não como uma garantia de desempenho ou rentabilidade.
